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QUÃO BOM É...





Ontem, último dia do ano de 2021, estava eu tentando prolongar o meu limitado tempo neste plano, ou seja, praticando uma caminhada (rs) e me ocorreu, em meio às reflexões naturais de quem caminha, fazer um balanço do que a Maçonaria agregou à minha vida nestes 18 anos de estrada. 

De repente me dei conta de como o Mario profano era diferente do Mario de hoje! 

Quanta coisa aprendi e continuo aprendendo e tentando melhorar nestes curtos mas significativos anos!

Aprendi, por exemplo, o valor de saber falar de forma o mais correta e clara possível, respeitando a riqueza e beleza de nossa Língua Pátria, sem ser prolixo. Adequando os tipos de fala ao interlocutor. Aprendi isso entre Colunas!!! Observando, meus Irmãos! E quando digo "Aprendi", por favor, entendam! Não significa que dominei! Apenas que a importância desta capacidade brilhou aos meus olhos.

Aprendi (talvez um dos mais difíceis aprendizados) o valor de identificar o momento de calar, mesmo quando pensamos ter a razão a nosso favor. Digo "Pensamos" pois é só isso! Uma suposição. A razão só emerge após um positivo e fraterno processo dialético. E isto é algo que também  se vai lapidando ao longo do tempo, com a prática. Calçar o sapato do outro, olhar pelos olhos do outro é tarefa que penso ser impossível! Mas a simples boa vontade de tentar já é um enorme passo em direção à convivência fraternal.

Com o tempo (e não sem grande esforço) vamos ponderando e aprendendo a identificar os momentos nos quais o embate argumentativo é imprescindível e as situações em que recuar é a melhor postura. Sem menosprezar o interlocutor, mas há situações em que um bem maior é colocado em risco: a relação fraternal. Quantas famílias têm se desagregado por falta de capacidade dialética?! Quantas relações entre Irmãos têm se enfraquecido ou até mesmo rompido pela atmosfera polarizada e intolerante dos tempos atuais?!

Então, o aprendizado de saber calar é ainda mais importante e prioritário que o de saber falar. Quando muito se divulgam cursos de Oratória, nossa vida tem exigido muito a capacidade "Escutatória".

Por óbvio que o poder de comunicar também está (e sempre esteve) em alta. Se o poeta diz que "A Vida é a Arte do Encontro", que ferramenta (das muitas que nos ensinam a retirar do avental) mais fundamental não é a linguagem e o seu domínio? Seja em uma comunicação, a priori,  unidirecional como esta que vos oferto, seja em uma interação sobre qualquer tema. 

Outra habilidade que a Prática Maçônica tem me ajudado a aperfeiçoar é a Etiqueta Maçônica que, analisando etimologicamente, seria a "Pequena Ética". No curso das relações com nossos Irmãos fui constatando como faz diferença, como é bom termos e recebermos pequenos gestos de zelo e atenção. Um contado que se retorna rapidamente, uma ajuda que se presta com agilidade e dedicação, uma ligação para saber se o Irmão está bem, ou seja, pequenos gestos que fazem muita diferença.

Etiqueta Maçônica vai muito além do que as regras ritualísticas de tratamento. Ela transcende os Manuais Ritualísticos. Ela mora no coração, na preocupação em fazer o Irmão se sentir bem ao fazer contato conosco.

Acho que as relações pessoais no mundo profano às vezes mostram-se muito hostis. Vivemos com os nervos à flor da pele e, pelas tensões do dia a dia, às vezes não temos a necessária e desejável paciência e cuidado no trato pessoal. Então que sentimento bom é receber uma atenção especial de um Irmão! O acolhimento de nossa Universal Família Maçônica é um alento para o coração, um jato de energia para a alma!

Então, fazendo esta autoanálise, percebi como estes gestos de carinho fraternal traduzem, na verdade, respeito ao próximo e este próximo ganha um brilho ainda mais especial quando trata-se de um Irmão, um parceiro na caminhada por esta maravilhosa estrada que é a Arte Real.

Na verdade uma Loja Maçônica é, efetiva ou potencialmente, uma maravilhosa Escola! Uma escola de Líderes! Percebam, meus Irmãos, na diversidade de cargos e dinâmica de Loja, as inúmeras possibilidades de nos aprimorarmos no campo da administração, comunicação, relacionamento interpessoal, exercício da tolerância e humildade, habilidade na delegação de tarefas ou trabalho colaborativo, sensibilidade no trato de situações delicadas etc.

Como não visualizar estas potencialidades à nossa disposição?! Isso sem falar na capacidade de adaptação às mudanças que o meio naturalmente nos apresenta. 

Quantos Irmãos, por exemplo, que pouca familiaridade tinham com a informática ou ferramentas de comunicação, se descobriram usufruindo dos recursos que as Palestras Online ofereceram, por força do isolamento ao qual nos vimos obrigados nos últimos dois anos?!

E não para por aí! A necessidade de nossa Ordem se reinventar está, cada vez mais, como que em um processo de evolução natural, nos trazendo novas capacidades e habilidades.

Mas, voltando ao balanço inicial que me propus a fazer, acho que, em resumo, o que mais aprendi a valorizar nestes anos de Maçonaria foi o bom e salutar convívio, os Laços de Fraternidade e tudo que concorre para o seu fortalecimento. O valor está no Irmão.

Nenhum gesto é insignificante, nenhum tempo é mal empregado quando o investimos no cuidado, no zelo para com nossos Irmãos. Seguimos aprendendo sempre e tentado melhorar cada vez mais esta capacidade. Talvez nos esforçando para aplicar efetivamente, um dos grandes ensinamentos do Mestre Nazareno:


"Amai ao próximo como a si mesmo"







Não perca tempo com Maçonaria!

 






Calma, meus Irmãos! Vamos com calma!
Preciso, certamente, explicar o título deste artigo e é o que faço doravante.

Mas antes, voltemos um pouco no tempo. 

Convido-o a retroceder àquele primeiro dia na Ordem, àquele tão singular e especial recinto e a um objeto em particular: a Ampulheta.

Este símbolo universal do curso inexorável e implacável do tempo, nos lembra, desde aquele tão especial e primeiro dia de caminhada na Arte Real, que recebemos uma quantia limitada de existência sobre este plano terrestre e que, por mais que desejemos, esta quantia é certa e improrrogável. Só não temos consciência do montante de segundos que nos foi confiado. Esta informação foge ao nosso domínio cognitivo.

Mas nossa Augusta Ordem, ainda mais preocupada com seus membros, nos confere outra ferramenta simbólica justamente para bem dosarmos a utilização destes "grãos de tempo", a Régua de 24 Polegadas que, se usada com sabedoria, nos trará contentamento em todas as áreas de nossa vida, não só Maçônica, mas principalmente Profana.

No entanto a reflexão que suscitamos com a frase título desta peça é justamente o convite a um autoexame de consciência: Por qual motivo eu sou maçom atualmente? Será que estou empregando de forma Justa e Perfeita o meu tempo de vida no lapidar da Pedra Bruta? Vale realmente a pena abrir mão do convívio familiar, do aconchego do lar, para colocar um terno, gravata e estar aqui? Se o ser humano é movido por propósitos e por uma eterna avaliação da relação custo/benefício entre escolhas e consequências então qual vantagem eu levo nesta atividade? 

Saliente-se que o Trabalho Maçônico é muito mais que um voluntariado. Aqui nós pagamos para nos melhorarmos e tornarmos feliz a humanidade. Mais que regras de um serviço voluntário, entre o Esquadro e o Compasso, temos compromissos fundamentados na honra. Nos submetemos a compromissos por vezes severos e que nos exigem múltiplos sacrifícios pessoais, familiares e outros. Tudo isso em prol de um ideal, de um PROPÓSITO.

É será mesmo isso que estou fazendo? Tenho um real e definido propósito em ser maçom? E (muito importante) estou trabalhando em direção a este propósito? Ou estou habituado e confortável com a rotina semanal e o bem estar que me faz estar entre os Irmãos? 

A Mitologia Grega, mais especificamente a Odisseia (Homérica), nos traz um interessante relato sobre a Ilha dos Lotófagos, um lugar no qual seus habitantes, inebriados pelos efeitos encantados e prazerosos provocados pelo consumo do Lótus, simplesmente não se davam conta da passagem do tempo e o que, para eles, eram dias, na verdade consumia meses ou anos.

A prática maçônica não refletida, planejada e constantemente avaliada, meus Irmãos, nos converte também em lotófagos e nos submerge em uma rotina de iniciações, elevações, exaltações e tantas outras rotinas que acabam por consumir todo o ano maçônico. Quando nos damos conta, já estamos nas novas eleições e tudo recomeça. Esta rotina não necessariamente é negativa. Faz parte do trabalho, mas um "algo mais" se faz necessário para que consigamos ver prosperar o propósito de tornar feliz a humanidade. 

Mas voltemos ao foco desta peça que não é o planejamento administrativo. Este tema (não menos importante) fica para outro momento.

O tema para o qual peço a atenção dos queridos Irmãos é a importância da contínua reflexão sobre o bom uso de nosso tempo pessoal. Não perca tempo com Maçonaria! Ela não foi criada para fazê-lo assistir, estático, o giro dos ponteiros do seu relógio. 

Na verdade a Maçonaria é uma riquíssima oportunidade, uma dádiva, uma bênção ou como queiram chamar, mas os que aqui estão têm a chance de operar verdadeira transmutação. Transformando o "homem de chumbo" em "homem de ouro", visitando o interior da terra e retificando encontrar a pedra filosofal!  

Parafraseando a essência de Mario Quintana poderia formular a seguinte máxima: 

"A Maçonaria não muda o mundo. 
Ela muda o homem e o homem é que muda o mundo".


Meu Irmão, se buscas na Ordem o calor da Fraternidade, o abraço amigo, a companhia agradável e revigorante de seus Irmãos; se isso lhe confere a força necessária para enfrentar as agruras da vida com coragem, resiliência e serenidade, SIM!, você não está perdendo tempo!

Se buscas fazer o bem sem olhar a quem, contribuir para minorar a dor do outro, sentir-se parte na luta pela erradicação do sofrimento alheio nas diversas formas que este se apresenta, SIM!, você não está perdendo tempo!

Se buscas cultura, conhecimento e, generosamente, tencionas compartilhar estes bens intelectuais com seus Irmãos a fim de que eles se multipliquem e frutifiquem, SIM!, você não está perdendo tempo!

Se pretendes trazer melhorias ao meio social em que vives, amparado na ética e na vontade de ver crescer a sua "Polis", se buscas aprimorar-se como Líder-Servidor e Construtor Social , SIM! você não está perdendo tempo!

Se sua intenção é amplificar sua capacidade de relacionamento interpessoal, lapidando-se como favor de concórdia e harmonia entre os seus, se queres aprender a tratar desde o mais humilde até o mais nobre com a mesma bondade e dignidade, SIM!, você não está perdendo tempo!

E não pretendemos de modo algum sermos exaustivos nestes exemplos. Não conseguiríamos tamanha é a riqueza de possibilidade e caminhos a trilhar em nossa Maçonaria (basta motivação e boa vontade).

Seja qual for o seu propósito, querido Irmão, mantenha a sua chama acesa! Siga em frente, mesmo com quedas e tropeços. Há braços suficientes nesta Ordem para o amparar.

Porém, se investigas a sua própria alma e não encontras uma motivação para a nobre prática da Arte real talvez esteja na hora de conversar, meu Irmão! Hora de trocar ideias com seu Padrinho ou com qualquer Irmão que te seja mais próximo. Talvez ainda haja uma solução.

Infelizmente muitos valorosos Irmãos abandonam as nossas fileiras por simples falta de conhecimento das possibilidades de trabalho na Ordem. É triste a constatação de que, por falta de comunicação em algumas Oficinas, muitos Mestres desconhecem importantes iniciativas que a Maçonaria promove ou apoia e, se não conhecem, como partilhar ou auxiliar outros Irmãos em momentos de dúvida ou incerteza sobre seus objetivos?

Mas não podemos também retirar do próprio Irmão desmotivado a responsabilidade em pesquisar, buscar e procurar saber das ações e iniciativas Maçônicas que se harmonizem com seu perfil ou propósito. Somos todos homens, líderes e formadores de opinião. Não podemos esperar que alguém nos pegue sempre pela mão. A formação do Maçom é um processo cuja responsabilidade é compartilhada entre o neófito e sua Oficina.

A felicidade é um dos objetivos da prática maçônica. Urge que, neste caminho que nos convidaram a trilhar, os momentos felizes e agradáveis sejam sempre mais numerosos que os infelizes ou aborrecidos.
Se a equação está invertida é preciso refletir com urgência.

Não perca tempo!

Cada segundo que deixamos de empregar com sabedoria, cada abraço não dado nos que nos são caros, cada momento empregado com real significado para nós, pode fazer muita falta ao nos depararmos com as portas do Oriente Eterno.

Finalizo com suas passagens que considero adequadas às nossas considerações: uma pagã e outra Cristã.

"Uma vida não refletida não vale a pena ser vivida" (Sócrates)

"Temos diferentes dons, de acordo com a graça que nos foi dada. Se alguém tem o dom de profetizar, use-o na proporção de sua fé. Se o seu dom é servir, sirva; se é ensinar, ensine; se é dar ânimo, que assim faça; se é contribuir, que contribua generosamente; se é exercer a liderança, que a exerça com zelo; se é mostrar misericórdia que o faça com alegria."  (Romanos 12:6-8)









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